• Tony Da Costa

A Unidade é a Chave (Parte 3/6)

Autor: Fabien Marchand, traduzido por Tony Da Costa com a permissão do autor.



A Unidade Interior e com o Mundo.


Esta terceira parte abrange uma visão mais ampliada sobre Unidade. Vimos isso com a chama gêmea que passa do “IN-divíduo” a Dois indivíduos, criando assim um terceiro indivíduo: o Casal… É inegável que a abordagem passa pela exploração do Ego para revelar o Eu interno que se tornará capaz de dar e receber amor da sua metade gêmea. A etapa seguinte será considerar fazer o mesmo com as esferas exteriores.


Nessa altura do desenvolvimento da alma, as diferenças entre a chama gêmea, as almas gêmeas e a alma (clássica) desaparecem e todas são confrontadas com as mesmas dificuldades.


O poder destrutivo em si…


Entendemos o efeito espelho através do relacional íntimo e fusional da chama gêmea, é claro. Mas esse mecanismo de reflexão retornada existe para todos através do seu relacionamento com o Mundo.


Este Mundo é o reflexo dos resultados e deduções que temos de nós mesmos… este induzindo um posicionamento em relação aos outros. Ele é o revelador, a Polaroid, a imagem futura resultante de nossas escolhas e decisões atuais. Para imaginá-lo, aqui segue uma citação de Dalai Lama: “Seja aquilo que você deseja que o mundo seja” é um dos melhores exemplos desse efeito.


Constando que a dinâmica do desenvolvimento pessoal é antes de tudo exotérico (dentro do ser) avançando progressivamente para o esoterismo (fora do Eu), mostrando-se óbvio e necessário a importância de se ter uma construção sólida e fiável do Eu antes que possamos nos abrirmos os outros.

Como deixar existir no Eu zonas inexploradas, vazios, desconhecimentos, medos, fraquezas, dúvidas, enquanto isso tendo a esperança de se sentir tranquilizado pelo o mundo exterior?


Um outro, quem quer que seja, não tem o poder de construir o seu Eu.

E, a fortiori, ninguém nunca deveria por este peso sobre os seus ombros porque mesmo no caso onde o mesmo permanece bem-intencionado em relação a nós, ele colapsaria em um mais ou menos longo prazo, sob o peso de duas existências, a dele e a de um outro. Porém, no caso onde este alguém bem-intencionado sofre ele(a) mesmo de um déficit de estrutura interna, forte provavelmente, ele aplicará o comportamento inerente ao triângulo demoníaco de Karpman (veja mais abaixo). Enfim, se o Amor Incondicional nos anima, nunca devemos deixar o peso da nossa existência ser carregado por quem que seja.


A chama gêmea?

No caso da chama gêmea, é a ausência da consciência intelectual que, na maioria dos casos, levará o casal a se deteriorar através de comportamentos próprio a cada um dos gêmeos. Seus programas psicológicos subjacentes se engajam automaticamente.


O chaser ou perseguidor (a alma despertada) fará uso do triângulo demoníaco com força e violência, a fim de fazer sua metade reagir… Assim, ele adotará diferentes posições de diálogo, alternando entre o papel de executor, vítima, mas também de salvador no relacionamento com a sua metade. Isso tem um efeito destrutivo na comunicação e no equilíbrio do casal.


O runner ou corredor/fugitivo (a alma em fuga) aplicará primeiro suas faculdades em se adaptar ao interlocutor, chegando ao ponto de dizer o contrário da sua própria vontade para não decepcionar o perseguidor. Mas diante da alternância de posições de comunicação e de seu medo de conflitos, ele(a) acabará adotando um método de fuga crônica para finalmente escolher uma distância permanente e vital, motivada por uma necessidade absoluta de sobrevivência.


Todos…

O ser despertado só poderá começar sua exploração do mundo com serenidade apenas se ele tiver consciência de toda sua interioridade. Listando suas fraquezas, assumindo seus medos, ele será capaz de se levantar e tomar medidas voluntárias para compensar ou, espero eu, corrigir de uma vez por todas aquilo que o poderia está impedindo.

A consciência intelectual guardando na memória as experiências passadas, mas também as soluções encontradas, aumentará a confiança que o Eu tem em Si mesmo.

A partir de então, ele “sabe” que existe em si os recursos necessários para viver, e não sobreviver, neste mundo.


O poder destrutivo do Mundo, como o resistir?


Primeiro de tudo:

Compreender, aceitar e construir suas quatro consciências simultaneamente é vital. Isso requer o domínio de uma consciência ativa, permitindo o equilíbrio das duas correntes e energias que são o Yin e Yang presente em todo o ser.

Ser mestre de suas energias, sua energia vital, é o bê-á-bá de acordo com todas as formas de terapia holística.


Em segundo:

A exploração e gestão do equilíbrio psicoemocional é essencial, porque específicos casos de comportamento podem levar o indivíduo a se desestruturar através de seu relacionamento social, amigável ou romântico.

As interações entre os outros e o Eu geralmente são inconscientes.

São essencialmente os eventos vividos anteriormente que induzirão comportamentos não dominados na psique.

A principal alavanca desestabilizadora do psicoemocional, seja em termos de força, mas também de efeito dominó, será a presença em si de uma ou mais dependências emocionais.


A dependência afetiva…

Por muito tempo hesitei desenvolver este parágrafo sobre a dependência emocional em publicações anteriores, mas deve-se ser conscientizar que ela se enraíza em relacionamentos anteriores ao encontro das chamas gêmeas, existindo assim em primeiro lugar com os outros antes de tudo.

Existem vários tipos de dependências emocionais, em várias intensidades e, é claro, múltiplas causas.


O único ponto em comum entre todas essas variáveis ​​é um déficit na construção da criança, em relação a si mesmo e ao seu valor, e isso desde a sua infância.

Podemos encontrar experiências vividas que são totalmente diferentes umas das outras e que, no entanto, induzirão o mesmo tipo de dependência em crianças, dependendo se a criança foi desejada ou não, mas também das reais razões do desejo parental dos pais.

Aqui está uma lista não exaustiva do que pode ser encontrado:

  1. O filho indesejado (rejeição ou negação)

  2. O filho muito desejado e mimado (filho rei, sufocado pelos seus pais, etc.)

  3. O filho substituto (após a morte de um irmão, irmã, pais)

  4. O filho cimento do casal (para manter o cônjuge)

  5. O filho transfiro (porta as esperanças não realizadas dos pais)

  6. O filho descendência (carrega a perpetuação do nome)

  7. O filho objeto (escravizado pela família muitas vezes através da culpabilização)

  8. A criança lixeira (absorvedor do mal-estar dos pais), etc…

Às vezes, a criança é até mesmo portadora de vários vícios induzidos ao mesmo tempo. A falta de estrutura e conscientização individual dos pais é a principal causa disso.


Eles então “colocam” a criança em um padrão de comportamento de submissão, não liberado, que forçará a criança a se adaptar a eles. Muitas vezes, durante esse período, a criança inicia a construção do que Sigmund Freud chama de “faux-self” ou “falso eu", um personagem fictício baseado nos desejos e expectativas dos pais, cujo objetivo é atrair suas boas graças e Amor. O “falso eu” existe em quase todas as dependências emocionais.


Existem centenas de comportamentos dos pais, principalmente inconscientes (felizmente!), que permeiam o Eu da criança antes mesmo que suas consciências sejam suficientemente armadas para se construir com bases saudáveis.


A exploração das próprias experiências, mesmo as mais antigas, é necessária. Não para tornar os pais responsáveis, pois não poderiam assumir tanta culpa e reagiriam de frente, mas, pelo contrário, para “resolver” em si mesmo, com o Amor incondicional próprio, esse conflito de interesses que se tornou uma evidência no Eu.


O Adulto e a Criança Interior unidos...

“O outro não se sentindo melhor porque eu carrego o peso dele”, é importante entender que esses tipos de interações com os pais prejudicam o Eu e, por conseguinte, o Eu interior, sem por entanto aliviar os pais de seus sofrimentos pessoais. Pior ainda, o pai que não enfrenta seus problemas pessoais, ele não procura evoluir. Então aqui encontramos as grandes leis da roda de Samsara que nos dizem que são as almas das crianças que escolhem seus pais antes de se encarnar, a fim de levar-los e apoiar-los no seu desenvolvimento cármico.


Nos encontramos assim à dois, ou mais, sofrendo da mesma causa não resolvida pelos pais. É óbvio que o pai que não regula suas dualidades e comportamentos influenciará fortemente nos relacionamentos de casal do filho e, bem evidentemente, o seu companheiro(a) também… e ele mesmo, através do efeito dominó, poderá preocupar aqueles que o cercam, etc.


O inconsciente de uma criança que se tornou adulta o levará a terminar, a fugir de situações de submissão, exceto no caso onde uma necessidade de segurança (parte inferior da pirâmide de Maslow) lhe tenha sido oferecida pela unidade familiar… O que, deve-se dizer, indica uma evidente chantagem material e/ou financeira por parte da família.


Caso a emancipação de seus pais não tenha ocorrido, a criança, que se tornou um jovem adulto, continuará alimentando seu “faux-self”, a fim de atrair as boas graças de um ambiente social (amigável e/ou profissional). Guardando sua base comportamental, ela crescerá sem questionar seus fundamentos.


Então, o indivíduo em questão se envolverá com um grande número de contatos sociais que serão paradoxalmente mantidos à distância de sua personalidade profunda, impedindo-se de ter relacionamentos muito íntimos e/ou amorosos. É o medo de ser descoberto, julgado e rejeitado pelos outros, em suma, pelo medo de não ser mas considerado como “amável o suficiente”, o que o levará a se adaptar às opiniões e desejos das pessoas que o cercam. Sua adaptação a estes é quase permanente e próxima da servidão, obrigando-o a ter palavras pesadas, diálogos superficiais e opiniões complacentes com todos… Assim, encantando o maior número de pessoas, ele se reassegura em sua capacidade de agradar ao maior número de pessoas.


Dependendo do ego do indivíduo, essa atitude se aplica à toda a sociedade em geral, a pequeno grupos e onde exista um espírito de clã; que na maioria das vezes foram formados com pessoas conquistadas por ele mesmo.

A busca por esses múltiplos “amores sociais” superficiais obviamente o distancia do seu próprio eu que é muitas vezes mal construído. O amor profundo e verdadeiro se torna sinônimo de perigo incontrolável, na ausência de uma estrutura psicoemocional autônoma. O indivíduo construirá muralhas contra qualquer envolvimento amoroso a longo prazo, sem estar totalmente consciente da sua fuga emocional.

Sua auto-estima, autoconfiança e estabilidade dependerão unicamente das opiniões e julgamentos alheios.


O ator em fulga…

Na chama gêmea, encontramos esse comportamento em um dos gêmeos: o runner (corredor, fugitivo).

O perseguidor, capaz de “desmontar” o “falso eu” e enxergar profundamente no interior de seu gêmeo, o fará se sentir inseguro principalmente devido à sua dependência emocional da sua família.

Podemos entender facilmente a tendência do runner em querer fugir desse gêmeo despertado, capaz de ativar na sua criança interior, o medo de ser rejeitado e detestado. O chaser é, no entanto, capaz de amá-lo por inteiro.


Depois de estudar muitas composições diferentes de chamas gêmeas, confirmo ter encontrado este mesmo padrão em todos os runners.

Quando ele se vê diante de seu gêmeo, ele deve decidir qual comportamento deve adotar… Continuar desempenhando um papel através do seu “falso eu” ou revelar sua verdadeira personalidade, correndo o risco de perder suas conquistas amigáveis, familiares e sociais em geral.


Essa escolha, no final das contas, resume-se a decidir se ele é verdadeiro ou falso em relação a si próprio e aos outros.


Quando a vida do casal tentará fazer o indivíduo crescer a um Amor maior e livre, a dependência através do “falso eu” atuará como um programa subjacente da consciência e revelará o sofrimento enterrado em profundidade. O relacionamento será impossível a mais ou a menos longo prazo.


Depois de ter estudado várias configurações de chamas gêmeas, pude notar que todos os chasers haviam sofrido de dependência emocional ANTES de encontrar seu gêmeo(a)… mas a maioria já o havia gerado antes da momento do reconhecimento do outro.


Potencialmente em todos…

Essas serão todas as formas de dependência emocional que causarão desestabilizações em um indivíduo.

A não-compreensão das causas da instabilidade gerará dúvidas, questionamentos, medos de projeção ou decisão à respeito do futuro, falta de confiança, etc.


Paradoxalmente, freqüentemente encontramos um desejo excessivo de controle sobre outros aspectos não emocionais do indivíduo, aplicáveis ​​à orientação profissional, social, material, física, sexual, etc.


De certa forma, o indivíduo terá a necessidade de “manter” o que será o mais simples e fácil para ele: “o falso eu”… portanto, estagnando em sua zona de conforto.


Ainda motivado em resistir sua exploração profunda e pessoal, é óbvio que isso será uma fonte de dolorosa conscientização, mas, no entanto, necessária para descobrir o verdadeiro Eu.


Caso a seguir…


Autor: Fabien Marchand, traduzido por Tony Da Costa com a permissão do autor.

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